E se Tânatos, irmão do sono, nos visitasse amanhã? 

O filósofo alemão Heidegger dizia que a morte é o que nos transforma em humanos. Se aceitamos isso, segundo o filósofo nossa existência se torna autêntica, pois aceitamos os fatos como são sem criar subterfúgios.

Começamos a morrer desde o momento em que nascemos, é nessa perspectiva que vamos nos criando com o intuito de completar todas as nossas fases da vida – da infância à juventude, da juventude à vida adulta, da vida adulta à velhice. Não se trata de previsão sobre o futuro, a morte é certa.

A morte nos deixa desconfortáveis e agimos muitas vezes como se ela não existisse. Os outros morrem, eu não ! é quase uma sentença que criamos para entender a nossa vida como um processo infinito, mas reconhecendo que o outro irá partir.
Todos sabemos que estamos destinados a morrer, mas muitas vezes agimos em razão da inexistência de uma temporalidade, como se tivéssemos tanto tempo ad eternum que não fosse preciso pensar sobre esse tema.
O medo da morte nos faz criar mitos. São eles que nos ajudam a vencer o medo, a entender nossas fraquezas, a construir histórias que muitas vezes irão criar pontes para entendermos e continuarmos a nossa trajetória. São os mitos que justamente nos fazem muitas vezes driblar o tema da morte e nos permite estabelecer planos para a nossa vida.  É o futuro que nos interessa, mesmo que não se tenha a certeza de que esses planos irão se concretizar ou não.

Não vamos esquecer que tudo isso é uma forma de negar o fato de que a finitude da vida chega. Negamos a morte e nos recusamos a falar dela como fator social. O que nos incomoda ? A morte ou o agir como se ela não existisse?  Falamos da morte por eufemismos “fulano está partindo”ou “estou indo embora” quando deveríamos admitir que “fulano está morrendo” ou “eu estou morrendo” e celebrar a morte como em tantas culturas. Os Vikings não temiam a morte pois era uma honra morrer em batalha, provar a honra e a bravura, e ser recebido no salão de Valhalla.

A verdade é que da forma como pensamos a vida tendemos a pensar que sempre se é muito jovem para morrer. Sempre se é muito cedo para morrer, mas deveríamos pensar:
E se Tânatos, irmão do sono, nos visitasse amanhã?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: