Matheusa

 

Matheusa, como se identificava, está morta. Era não-binária, não escondeu nas redes sociais, como se verifica na matéria publicada pelo G1 a sua condição de vulnerabilidade financeira e por isso pediu ajuda.

Matheusa, como se identificava, está morta. Saiu de uma festa e seguiu até o Morro do 18 para ser morta. Foi julgada pelos traficantes do local, conforme nos diz a delegada.

Matheusa, como se identificava, está morta. Mas também já havia sido julgada por todos nós que permitimos que chegasse aos 35 anos, tempo médio de vida de pessoas transgêneros no Brasil.

O corpo é mídia primária, é ele quem nos codifica e informa à sociedade quem somos. Mais do indivíduos, sujeitos, coletivos, somos conceitos. A informação de que Matheusa foi morta e, possivelmente, queimada é a mostra de que conceitos no Brasil ainda não permitem que corpos trans vivam em sua dignidade. Pior, esse corpo além de não poder viver, também não pode existir – dá-se um nome, tira-se uma vida, queima-se o corpo.

Inexiste, porque o corpo tornou-se o nada.

 

(Imagem: Carta Capital)

 

 

 

 

 

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