China confisca caixões

Pode parecer uma piada ou apenas uma medida sem qualquer importância, mas ao confiscar caixões o governo declara a impossibilidade de tratar de questões relativas a vida e a morte da sua população.

Essas questões estão relacionadas aos aspectos materiais que reverberam na impossibilidade de tratar da questão populacional e que reverbera no tratamento que se dá corpo morto e sua consequente inumação ou ao atendimento das disposições de vontade da pessoa falecida e seus familiares.

Diz respeito também as questões de ordem religiosa que  ficam suspensas a medida que, ao macular o corpo, a crença de que o espírito não receberá o descanso adequado permanecerá no cerne daqueles fazem parte do entorno da pessoa falecida.

A falta de espaço para enterros e a negação do corpo morto foram temas recorrentes no nascimento do Estado, especialmente, no período da Revolução Francesa, quando ao afastar os mortos da cidade se pretendia também negar a morte como uma questão social. Ao afastar o corpo dos familiares e amigos, se tornava uma questão sanitária e ao esconder o corpo se tornou uma questão política.

A matéria completa está no link China consfisca caixões

 

A falta de espaço nos cemitérios

 

 

Muitas pessoas não entendem a dimensão de uma medida como esse proposta pelo governo chinês.

 

 

 

 

https://jovempan.uol.com.br/noticias/mundo/china-confisca-caixoes-para-proibir-enterros.html?utm_campaign=uol&utm_source=twitter&utm_content=geral&utm_medium=social-media

A moeda e a morte

A moeda e a morte

Caronte – filho de Nix – é o responsável por receber uma moeda a fim de transportar os recém mortos para as terras de Hades. Em seu barco, atravessa Aqueronte e Estige , rios limitrofes entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos, cumprindo assim o seu papel. Sem a moeda não tem travessia e o corpo fica vagando entre os mundos sem destinação final.

Funerais prescindem de moedas.

Na Roma antiga os corpos dos mortos recebiam a honras de acordo com a classe a que pertencia.  Pobres sem muita cerimônia e seus corpos incinerados e ricos com todos os rituais possíveis, corpos banhados com água quente, perfumes e vestes com insignias.

Isso não mudou com o tempo.

Ainda hoje muitos rituais se utilizam da moeda como forma de ajudar a alma possa ser conduzida para seu local ancestral.

Mas é preciso lembrar que moedas não tem importância só simbólica, mística ou religiosa. Os rituais, como já disse aqui servem para amenizar a dor do entorno e criar uma consciência a respeito da morte.

cropped-cropped-dante.jpg

Imagem: O inferno de Dante

Atualmente, as moedas convertidas em notas, cheques e cartões de crédito são um meio de, assim como os romanos, dar ao ente uma destinação ao corpo morto. Há enterro sem dinheiro ? Na cidade de São Paulo,  segundo a tabela de serviços funerários, há.  Pelo que determina a Lei 11 083/91  a gratuidade é um direito de todos os cidadãos, embora exista a alegação de que a comprovação de baixa renda não precise ser comprovada, ao invocar essa lei a família ou responsáveis pela declaração devem saber que não poderão fazer uso de sala de velório por mais de 15 minutos, além do material utilizado no caixão ser de baixíssima resistência. Há também a dispensa de pagamento de taxas, caso o falecido seja doador de órgãos para fins de transplante médico Lei municipal 11.479.

De qualquer forma, vale destacar que os serviços tabelados variam entre $ 440,37 (inumação de membros amputados) até $ 20.916,47 (para o serviço mais luxuoso). Para extra grandes os preços tem acréscimo.

 

Para morrer na cidade de São Paulo é preciso muitas moedas. É um longo caminho com um cofrinho bem cheio. É burocrático, é dolorido.

Blog no WordPress.com.

Acima ↑